Fisioterapeuta · COFFITO

Site de fisioterapeuta e as regras do COFFITO sobre imagem de paciente

O que o Código de Ética do COFFITO e a Resolução 532/2021 exigem antes de publicar foto, vídeo ou depoimento de paciente.

O antes e depois é a peça mais pedida por quem procura um fisioterapeuta e a que mais gera dúvida em quem atende. A foto existe, o paciente até topou mandar, e mesmo assim fica parada no celular porque ninguém tem certeza se pode postar daquele jeito.

O que o COFFITO regula

A publicidade na fisioterapia é tratada em dois textos que se complementam. O primeiro é a Resolução COFFITO nº 424, de 3 de maio de 2013, que institui o Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia e já trazia a base das regras de divulgação profissional. O segundo é a Resolução COFFITO nº 532, aprovada em 24 de junho de 2021, que autorizou de forma mais clara a divulgação de imagem, texto e áudio de procedimento fisioterapêutico, desde que exista Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado antes da publicação.

Com o TCLE em mãos, a publicação precisa trazer nome do profissional, número de registro no conselho e data do material. Sem ele, publicar imagem que permita identificar o paciente não é permitido, nem mesmo com o argumento de que ele mandou a foto por WhatsApp e “deixou claro que podia usar”.

O que cai e o que passa

Cai: publicar antes e depois de mobilidade sem o termo assinado, prometer ou insinuar resultado infalível para uma técnica (“essa sessão resolve sua dor em uma semana”), divulgar caso clínico enviado por terceiro sem autorização de quem o produziu, anunciar especialidade sem o título que a sustente. Passa: publicar o mesmo material com TCLE, nome e registro constando na peça, conteúdo educativo sobre prevenção e reabilitação, que o próprio COFFITO incentiva, e vídeo explicando um exercício sem citar nenhum paciente específico.

Um caso real mostra onde esse tipo de operação costuma travar antes mesmo de chegar à publicação. Um profissional de saúde com consultório próprio e agenda cheia tinha uma base de milhares de contatos sem nenhuma organização, material de aula já escrito, respostas de mensagem já prontas e um blog parado havia meses. O problema não era falta de conteúdo: o conteúdo existia, em aula, em resposta repetida, em material de paciente. O que faltava era saber quem publica, quando publica e onde aquilo fica guardado depois. Sem essa parte resolvida, o TCLE mais bem redigido do mundo continua numa pasta que ninguém abre.

Onde o primeiro contato se perde

Grande parte da procura chega por indicação de médico ou por dor aguda, com o paciente pesquisando o nome do fisioterapeuta no mesmo dia em que sentiu a dor piorar. Isso muda a urgência de quem escreve: quer resposta em horas, não em dias, porque está decidindo se marca ali ou continua procurando.

O contato se perde quando a agenda de avaliação depende de responder manualmente cada mensagem e a resposta chega depois que a dor, ou a paciência, já passou. Também se perde quando o site ainda anuncia um convênio ou uma técnica que o consultório parou de atender, porque quem chegou até ali já leu aquilo como verdade.

Há ainda o caso do paciente que faz uma sessão avulsa, sente melhora e some. Sem um retorno programado, nenhum lembrete automático avisa que já passaram três semanas desde a última sessão, e a reavaliação que deveria ter acontecido simplesmente não acontece. Ninguém decide não reavaliar: só ninguém lembra.

Como o paciente é chamado

No vocabulário da profissão, quem chega é paciente, e o primeiro atendimento é a avaliação, não a consulta. As visitas seguintes são sessões. Alta é o termo para o fim do tratamento, e reavaliação é o retorno que confere se o plano terapêutico ainda faz sentido. Um site que chama esse processo de “atendimento” genérico, sem usar esses termos, soa como se tivesse sido escrito por quem nunca pisou numa clínica de fisioterapia.

Sobre fazer isso sozinho

Organizar material, responder mensagem e ainda manter site e redes em dia divide a atenção de quem também precisa estar inteiro na avaliação de cada paciente. O custo real dessa divisão, com a pesquisa que sustenta o número, está no artigo Os 23 minutos que a pesquisa nunca mediu.

Norma de publicidade é levantada antes da primeira publicação, e pedido fora dela é recusado, mesmo que o próprio fisioterapeuta insista. Este texto não promete número de paciente novo, prazo de resposta do conselho nem posição no Google.

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