Precificação de serviços: cobre o que vale — para freelancers
O cliente pergunta quanto fica. Você tem o valor pronto na cabeça desde ontem. Aí a frase sai da boca com um número menor, seguida de um desconto que ninguém pediu e de uma justificativa que ninguém cobrou. A conversa termina bem. Você desliga com a sensação de ter feito de novo a mesma coisa.
Antes do medo existe o desconhecimento. Ninguém somou as horas que o trabalho realmente leva, as revisões que voltam, o imposto, a assinatura do software, o tempo gasto em orçamentos que não fecham. Sem essa conta feita, o preço vira chute — e o chute cai sempre para baixo, porque para baixo dói menos na hora de falar.
Adeus, Preço de Medo monta a conta antes de tratar da coragem. Custo fixo, custo por projeto, horas de fato faturáveis, margem. Com o piso conhecido, o desconto deixa de ser gesto e passa a ser escolha com valor visível. Boa parte da insegurança na hora de falar vem de não saber onde fica esse piso.
Depois vem a apresentação. Como o orçamento é escrito, o que ele mostra e o que ele omite, o que dizer quando aparece o tá caro — que costuma significar valor mal explicado, e não preço alto. O reajuste do cliente antigo entra aqui também, porque é a conversa mais adiada de todas.
Preço baixo atrai quem escolhe por preço, pechincha na entrega e vai embora quando aparece alguém mais barato. Corrigir a tabela muda quem chega até você, e essa troca de público costuma pesar mais no fim do mês do que qualquer aumento isolado de valor.
Quem não fez a conta cobra pelo que imagina suportar, e não pelo que o trabalho custa. O medo ocupa exatamente o espaço onde deveria estar o cálculo.
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