Imponha limites no amor maduro — para quem já tem uma vida inteira construída
Sua casa está de pé. A rotina funciona, os filhos têm horário, as contas estão no seu nome, e você levou anos montando isso peça por peça. Aí aparece alguém. E junto com a vontade aparece um cálculo que ninguém faz no primeiro amor: o que dessa estrutura vai ter de sair do lugar.
O padrão volta cedo. Você diz que está tudo bem quando não está, adia o seu programa para caber no do outro, engole a observação para evitar a discussão de domingo. Cada cessão é pequena e razoável. A soma delas é o mesmo desaparecimento que você jurou não repetir.
Graciele Faria trabalha a fronteira entre querer bem e se anular, que na hora da decisão parece a mesma coisa. Ceder por afeto e ceder por medo produzem gestos idênticos e consequências opostas. O critério não está no que você faz pelo outro. Está no que sobra de você depois.
Entra também o que veio antes: a traição que ficou sem explicação, a mágoa que não foi dita na época, o perdão concedido por cansaço em vez de decisão. Essa herança acompanha você para dentro da relação nova e costuma cobrar da pessoa errada, em situações que não têm nada a ver com o que aconteceu.
Uma casa que já está de pé pode receber alguém sem ser derrubada. Isso exige dizer não em voz alta, sustentar o não depois de dito e aceitar que quem vai embora por causa de um limite ia embora de qualquer jeito.
Ceder por amor e ceder por medo produzem o mesmo gesto na hora. A diferença aparece semanas depois, no que sobrou de você.
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