Onde você termina e o outro começa — e como amar sem se oferecer inteiro como garantia.
A porta do banheiro é o primeiro lugar do dia em que ninguém precisa de você. Não vem alívio. Vem a pergunta de como você está, e a resposta não aparece, porque faz tempo que ninguém faz essa pergunta — você inclusive.
Você identifica o humor da casa antes de qualquer um falar. Ajusta o seu dia ao que os outros vão precisar, abre mão do seu lugar para caber o deles, e chama isso de amor. Existe amor ali. Só que o seu lugar na relação depende de continuar sendo necessário, e quando ninguém precisa você não sabe onde ficar.
Há um ponto em que socorrer alguém começa a afundar os dois. Ele passa despercebido porque a intenção segue boa: você resolve o que era do outro, o outro deixa de resolver, e a vida dele passa a rodar dentro da sua. Enxergar esse ponto é enxergar onde você termina e outra pessoa começa.
Amar Sem Se Perder trata do que aparece quando você para de carregar: culpa imediata, medo de perder o lugar, um vazio estranho no espaço que o peso ocupava. Nada disso é sinal de erro. É o efeito de uma identidade que ficou alugada para a necessidade alheia e que volta em pedaços pequenos — a escolha do filme, a opinião dita em público, o pedido deixado sem resposta imediata. O afeto não diminui no processo. Sai de cena a exigência de se oferecer inteiro para poder ficar.
Quem só existe sendo necessário depende de que alguém continue precisando. Por isso soltar assusta mais do que carregar: sem o peso, falta a prova de que você merece ficar.
Leitura gratuita para assinantes do Kindle Unlimited.
Comprar na AmazonVocê será redirecionado para a Amazon.com.br