Fale sobre cuidados paliativos com delicadeza — para a família
O diagnóstico saiu na semana passada. Na sala, todo mundo fala de exame, de médico, de plano de saúde. Ninguém fala do que vem depois. Sua mãe começa uma frase sobre o que ela quer e alguém a interrompe com um não fala assim. O assunto morre ali e volta para a fila do que será tratado outro dia.
O adiamento tem lógica. Falar em morte parece convocá-la, e ninguém quer ser a pessoa que tirou a esperança da mesa. Só que o silêncio também decide. Ele decide que as vontades de quem está doente não serão conhecidas, que os acertos ficarão por fazer, e que alguém vai escolher no lugar dela, às pressas, num corredor de hospital.
Antes que as Palavras Faltem trata dessas conversas pelo modo de começá-las. Não existe discurso preparado. Existe uma pergunta feita na hora certa, com o corpo virado para a pessoa, e a disposição de deixar o silêncio ocupar o tempo que precisar. O livro trata de quem puxa o assunto, quando, e o que fazer diante da recusa.
Junto vem a parte prática: o que os cuidados paliativos fazem e o que costumam ser confundidos com fazer, o que a pessoa quer e o que recusa em relação a tratamento, onde ela prefere ficar, e como registrar isso em diretivas antecipadas para que a decisão não recaia sobre um parente sozinho.
Há também o que não é técnico. O perdão que ninguém pediu, o agradecimento nunca dito em voz alta, a história de família que só uma pessoa conhece. Essas frases continuam disponíveis enquanto houver quem as diga e quem as ouça. Depois disso, elas passam a existir apenas como falta.
O silêncio não protege ninguém do que vai acontecer. Ele apenas garante que o que precisava ser dito seja lembrado depois como algo que não foi dito.
Leitura gratuita para assinantes do Kindle Unlimited.
Comprar na AmazonVocê será redirecionado para a Amazon.com.br