Técnicas de estudo e memorização — para quem dá branco na prova
Madrugada, caderno aberto, marca-texto amarelo cobrindo metade da página. Você leu o parágrafo, entendeu enquanto lia, fechou os olhos para repetir e não veio nada. O texto passou por você sem parar em lugar nenhum.
O esforço está lá. Resumo, resumo do resumo, áudio gravado, áudio ouvido no caminho. E a nota não corresponde às horas gastas. A conclusão fácil é que a sua cabeça funciona mal. A conclusão correta é que reconhecer não é lembrar: ao reler, você reconhece o texto e confunde essa familiaridade com domínio do conteúdo.
A memória guarda aquilo que ela é obrigada a buscar. Enquanto o material está aberto na sua frente, ela não busca nada, só acompanha. A dificuldade de puxar a informação sem consulta é exatamente o que faz a informação ficar. Estudo confortável rende pouco pelo mesmo motivo que caminhada leve não fortalece perna.
Daí saem os procedimentos deste livro: fechar o material e tentar reproduzir antes de conferir, espaçar a revisão até o ponto em que você quase esqueceu, misturar assuntos em vez de esgotar um bloco por vez. O branco na prova diminui porque buscar sob pressão deixou de ser inédito — você já treinou aquela busca muitas vezes antes do dia.
Você não esquece por ter memória ruim. Esquece porque estudou de um jeito que nunca obrigou a memória a trabalhar.
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