Faça amizades verdadeiras na vida adulta e vença a solidão
O carro na volta para casa é onde a conta chega. A noite foi boa. Você riu na hora certa, contou as histórias que funcionam, perguntou pelas coisas que interessam aos outros. E mesmo assim voltou com a sensação de ter trabalhado. Ninguém que estava lá sabe o que você anda carregando.
A máscara não é um defeito de caráter. É uma habilidade que deu certo. Você aprendeu cedo que a versão editada de você é mais fácil de gostar, e essa versão passou a ir sozinha aos lugares. O preço aparece devagar, e é sempre o mesmo: as pessoas gostam de alguém que você não é.
Em Cansado de Fingir, Anderson Chipak trata a solidão adulta como um problema de exposição — quem você deixa ver, e até onde. Contatos você tem. Grupo de mensagens, gente que comenta suas fotos, convite para churrasco. Falta alguém que saiba o que se passa quando o celular está na mesa e a casa em silêncio.
Baixar a máscara funciona em doses. Você mostra uma coisa pequena e verdadeira, observa o que a outra pessoa faz com ela, e decide o próximo passo pela resposta. Amizade adulta se constrói em rodadas assim. A conversa decisiva que resolve tudo de uma vez raramente acontece, e esperar por ela é o que trava a maior parte das aproximações.
Ninguém se apega a um personagem. O afeto que a sua máscara recebe para na máscara, e é por isso que a aprovação nunca chega até você. Ser conhecido é a única entrada que existe, e ela cobra o risco de não agradar.
A máscara funciona. Esse é o problema. Ela fica com o afeto que era para chegar em você.
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