Reencontre o casal quando os filhos chegam e reabra a conversa
A criança dormiu tarde de novo. Sobrou um pedaço de noite antes do sono e vocês gastaram esse pedaço em silêncio, cada um com o celular na mão. Ninguém está bravo. Ninguém tem energia para começar uma conversa que talvez peça atenção.
Quando os filhos chegam, o casal desce na fila de prioridade e ninguém decide isso em voz alta. Acontece por acúmulo: mamadeira, escola, remédio, banho, trabalho, sono picado. O que sobra de atenção vai para quem chama mais alto, e vocês dois aprenderam a não chamar.
A conversa vira escala. Quem leva, quem busca, quem acorda de madrugada, quem compra o presente do aniversário da coleguinha. É comunicação eficiente e impessoal. Dá para tocar a casa assim por muito tempo sem que ninguém note que parou de perguntar como o outro está.
O Casal Que Ficou Para Depois trabalha dentro do caos, e não depois dele. As propostas cabem em pais que não têm com quem deixar as crianças, não têm noite livre e não têm disposição para jantar romântico. São movimentos curtos, feitos no meio da bagunça, repetidos até virarem hábito.
Quem espera as crianças crescerem para se reencontrar costuma chegar do outro lado sem assunto. O reencontro não fica guardado esperando a agenda melhorar; ele se dissolve enquanto a agenda não melhora. O que o livro discute é o que dá para fazer agora, com o pouco que existe agora.
O casal não foi substituído pelos filhos. Foi adiado, um dia de cada vez, até virar assunto para depois. E depois não tem data marcada.
Leitura gratuita para assinantes do Kindle Unlimited.
Comprar na AmazonVocê será redirecionado para a Amazon.com.br