Precificação de serviços criativos: cobre pelo seu talento
O cliente pergunta quanto fica. Você já tinha o valor na cabeça, calculado com calma na noite anterior. Na hora de falar, alguma coisa desce e sai um número menor. Você percebe na hora, e ainda emenda um desconto que ninguém pediu, só para preencher o silêncio do outro lado.
O desconto antecipado tem função: encurta o desconforto. Enquanto o cliente pensa, você imagina que ele está achando caro e corrige o preço antes de ouvir qualquer objeção. O que era negociação vira monólogo. Você negocia contra si mesmo antes de o outro abrir a boca.
Quem vende talento não tem prateleira para justificar preço. O trabalho parece rápido porque os anos que o tornaram rápido não aparecem na entrega. Mariovaldo Carrilho trata essa invisibilidade como problema de leitura: o cliente enxerga o resultado, enquanto o custo real está na formação, na revisão, no retrabalho e no tempo que nunca foi cobrado de ninguém.
Precificação, aqui, é conversa antes de ser conta. O mesmo orçamento apresentado com firmeza e sem pedido de desculpas recebe outra resposta. E existe roteiro para o pedido de desconto: o que sai do escopo quando o preço cai, e por que escopo e valor precisam andar juntos.
Dizer não ao trabalho que não compensa libera a agenda para o que compensa. É a parte que quase ninguém faz, porque parece arriscada quando a conta aperta. Cobre o Que Você Vale mede o risco dos dois lados: o de perder um projeto e o de encher o ano com projetos que sustentam o cansaço e não a conta.
O cliente não define o seu preço. Ele decide se aceita. Quando você corrige o valor antes de ouvir a resposta, tira dele a decisão e assume sozinho uma recusa que ainda não aconteceu.
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