Atravesse o luto pela perda do seu pet — para quem perdeu um amigo
Você chega e ninguém corre até a porta. A tigela continua no canto da cozinha porque tirar dali exige uma decisão que você ainda não tomou. A coleira segue pendurada no cabide.
A dor tem uma complicação a mais: ela não é reconhecida. Você ouve que era só um bicho, que basta arrumar outro, que logo passa. Então você chora sozinho e aprende a não tocar no assunto no trabalho.
Luto que ninguém reconhece não encontra o espaço que os outros lutos encontram. Não há licença, nem pêsame, nem a pergunta de como você está. A Coleira no Cabide começa por devolver esse espaço: o nome da perda e o direito de sentir o tamanho que ela tem.
Depois o livro acompanha o que vem. As ondas de saudade que chegam no corredor do supermercado. O horário do passeio que o corpo ainda cobra. A culpa por decisões tomadas no fim. E o ponto em que a lembrança para de doer e passa a confortar, sem que você tenha feito nada para apressar isso.
A rotina inteira passava por ele. Acordar, sair, chegar, dormir. Quando ele vai embora, o que se rompe não é só o afeto — é o desenho do seu dia.
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