Revise seus próprios textos e enxergue os erros que sempre escapam
Você releu, releu de novo, achou bom e mandou. O primeiro comentário aponta uma palavra repetida na abertura, do tipo que ninguém deixa passar. Ela estava ali o tempo todo e os seus olhos escorregaram por cima dela em todas as leituras.
Isso não é desatenção. É o modo como a leitura funciona quando o texto é seu: a memória completa a frase pelo que você pretendia escrever, conserta a falta sem avisar e devolve uma versão melhor do que a que está na tela. Revisar o próprio texto exige contornar esse conserto automático.
A Coragem da Segunda Leitura trabalha por camadas. Primeiro a ideia: o texto entrega o que prometeu na abertura. Depois a estrutura: a ordem dos blocos, o parágrafo que está no lugar errado. Depois a frase. Por último a palavra. Misturar as camadas é o que faz uma revisão consumir a tarde inteira e ainda deixar buraco.
A parte dura é o corte. A frase que custou uma tarde é justamente a que você defende, mesmo quando ela atrapalha quem lê. Há critérios para decidir o que sai, e há o hábito de guardar o descarte em outro arquivo — o que resolve boa parte da resistência antes de ela aparecer.
Entre um texto quase bom e um texto que prende existe uma etapa de acabamento. Ela acontece na segunda leitura, feita com distância, e pode ser aprendida por quem escreve sozinho e não tem ninguém para ler antes.
Escrever é a parte que se conta depois. O acabamento acontece na segunda leitura, quando o texto deixa de ser seu e passa a ser de quem vai ler.
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