Alivie a fadiga do cuidado e recupere a energia — para enfermeiros
O plantão terminou faz tempo e você continua sentada no carro, no estacionamento. A chave está na ignição e você não girou. Lá dentro alguém chorou e você segurou a mão. Alguém perguntou e você respondeu com firmeza. Agora, sozinha, não sobrou voz para ninguém — inclusive para você.
Em casa a escala continua. Você é quem sabe o que fazer quando o avô piora, quem lembra do horário do remédio, quem a família chama antes de chamar o médico. A competência que faz de você a pessoa procurada é a mesma que impede qualquer um de perguntar como você está.
Conviver com o sofrimento alheio todo dia tem um custo próprio, diferente do cansaço de trabalhar muito. Ele aparece como sono que não repõe, choro que chega por qualquer motivo, irritação com quem não fez nada. Em algum ponto o corpo parou de separar a dor do paciente da sua.
Pôr limite no cuidado costuma ser lido como frieza ou como falha de vocação. Este livro trata limite como parte do ofício: onde termina o que compete a você, o que fazer com o pedido que chega fora de hora, como recusar sem deixar a profissão que você escolheu.
Encher o próprio poço não acontece nas folgas raras. Precisa caber entre um turno e outro, dentro da rotina que existe. É por aí que O Cuidador no Limite conduz: recuperar energia sem esperar férias, e voltar a se enxergar como pessoa fora do papel de quem segura o mundo dos outros.
Quem cuida acumula um cansaço que o sono não alcança. Ele não vem do que você fez durante o turno — vem do que você absorveu enquanto fazia.
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