Uma conversa direta sobre salvação, desculpas e o preço que já foi pago.
Uma tarde de chuva, um homem pedindo comida e roupa, uma pergunta feita sem rodeio sobre querer ser salvo. Ele respondeu que queria. A cena que abre o livro é curta, e a pergunta continua no ar depois que ela termina — agora endereçada a quem está lendo.
Adiar não parece uma escolha. Parece prudência, ou falta de tempo, ou o plano de resolver isso quando a vida estiver mais organizada. O livro trata o adiamento como resposta. É a resposta que a maioria das pessoas dá sem admitir que está respondendo.
As desculpas têm nomes conhecidos: depois, quando eu estiver melhor, quando eu entender tudo, quando eu parar com aquilo. O que custa? passa por elas uma a uma, mostra o que cada uma cobra de quem a repete e não deixa nenhuma delas de pé.
A pergunta do título corre em mais de uma direção. Há o preço de aceitar: o que você teme perder, a mudança que a decisão implica, o hábito que fica para trás. E há o preço já pago, que o livro apresenta como a razão de a cruz ter sido a única saída disponível.
Graça é simples de descrever e difícil de aceitar, porque aceitar exige admitir necessidade — e admitir necessidade é justamente o que a vida adulta ensina a evitar. O livro não amacia essa conversa em nenhum ponto. Ele devolve a pergunta a quem está lendo e fica esperando pela resposta.
Você não precisa recusar para ficar de fora. Basta continuar adiando, e o adiamento faz o trabalho sozinho.
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