Leia dados e decida com confiança — para o gestor não técnico
O analista termina a apresentação e a sala se vira para você. O slide tem médias, variações e um gráfico com a linha subindo. Você acena, aprova o que foi recomendado e sai da reunião sem saber se aquele número era bom. A pergunta que resolveria a dúvida ficou engasgada, porque pareceria básica demais.
Você chegou onde chegou por leitura de gente, faro de negócio e capacidade de decidir com informação incompleta. Nenhuma dessas habilidades perdeu valor. Só que agora tudo passa por painel e indicador, e a linguagem mudou sem aviso. Quem não domina a nova língua fica dependente de quem domina.
O livro foi escrito para quem não vai virar analista e não precisa virar. O assunto é interpretação: o que uma média esconde, quando a variação importa mais que o valor central, por que um recorte de período diferente muda a conclusão inteira do relatório.
Parte do trabalho é separar o dado que muda a decisão daquele que apenas enfeita o slide. A outra parte é colocar número e evidência qualitativa lado a lado — a reclamação que se repete, o que a equipe de campo vem dizendo há meses — e tratar as duas coisas como informação.
O sinal de que funcionou é discreto: você passa a fazer perguntas melhores na reunião. Como esse número foi calculado. O que ficou de fora da conta. O que aconteceria se o recorte fosse outro. Quem pergunta assim para de aprovar no escuro.
Ler dados não é calcular. É saber o que perguntar antes de aprovar aquilo que a planilha está afirmando por você.
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