Foco, rotina e a mesma briga de sempre — para o casal em que um dos dois tem TDAH
Você pediu uma coisa. Uma só, pequena, com prazo largo. Ela ficou parada no meio do caminho e você descobriu por acaso, tarde demais para resolver sem transtorno. A mágoa chega antes de qualquer raciocínio: se fosse importante, teria sido feita.
Do outro lado da casa existe alguém que tentou. Colocou lembrete, começou, foi interrompido por outra coisa que pareceu igualmente urgente, e a tarefa evaporou entre as duas. Pedir desculpa outra vez não alivia nada, porque a promessa de melhorar já foi feita tantas vezes que perdeu valor para os dois.
No meio está a função executiva: o sistema que decide o que começar, mantém a coisa na memória enquanto ela não termina e traz a atenção de volta depois da interrupção. Em quem tem TDAH esse sistema funciona de outro jeito. Isso não anula responsabilidade. Muda o que adianta cobrar.
Dois Jeitos de Funcionar, Um Só Amor traduz um cérebro para o outro. Para quem cobra, explica por que o pedido some no caminho. Para quem esquece, mostra o que a outra pessoa está carregando ao assumir as datas, as contas e a logística da casa sem que isso tenha sido combinado com ninguém.
A saída é combinada, e é técnica. Divisão de tarefas pela afinidade real com cada uma, prazos visíveis fora da cabeça de quem esquece, e um jeito de interromper a discussão antes do ponto em que ela vira julgamento de caráter. Força de vontade já foi tentada. Ela não é o material com que se constrói rotina.
Cobrar mais força de vontade de quem já está tentando é pedir mais justamente do recurso que falta. O que muda a rotina é o combinado que continua funcionando com os dois cansados.
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