Identifique gatilhos da enxaqueca e reduza as crises da dor de cabeça
A luz do escritório começa a incomodar. Você fecha um olho sem perceber, sente o pescoço travado, procura uma palavra simples e ela não vem. Pouco depois a dor está instalada e o dia acabou. O que você chamou de começo já era o meio. O corpo vinha sinalizando havia horas, num vocabulário que passa despercebido.
Enxaqueca não se resume à dor. Há a fase que antecede, com bocejo repetido, vontade estranha de doce, humor curto e rigidez na nuca. Há a aura, que nem sempre aparece e nem sempre é visual. Há a dor propriamente dita. E há o dia seguinte, arrastado, em que você ainda não é você. Cada fase pede uma conduta diferente.
Enxaqueca sob Controle trabalha essa linha do tempo. Reconhecer a fase inicial abre uma janela curta em que a conduta ainda muda o tamanho da crise: onde você se coloca, o que interrompe, o que evita, o que combina antecipadamente com o seu médico. Depois que a dor se instala por completo, a mesma conduta rende bem menos.
A conta que a enxaqueca cobra não termina quando a dor passa. Ela aparece na reunião remarcada, no convite recusado por precaução, na paciência que acabou antes da noite, na explicação que você repete para quem trata a dor como exagero. Parte do desgaste vem de organizar a vida inteira em torno de uma crise que pode ou não vir.
O livro também trata do que não é enxaqueca. Cefaleia em salvas, dor que muda de padrão, dor acompanhada de sintoma que nunca tinha aparecido. Distinguir a sua dor de sempre de um sinal novo é o que separa a conduta em casa da ida ao consultório, e essa distinção pertence ao médico, com a sua descrição na mão.
A crise não começa quando a dor aparece. Enquanto você reconhece a fase inicial, ainda existe conduta possível; depois que a dor toma conta, sobra esperar.
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