Escreva no trabalho com clareza — para ser sempre entendido
Você reescreveu o e-mail até parecer aceitável e mandou. A resposta chega em uma linha: não entendi. Vem então a chamada para explicar por voz o que já estava escrito, e por voz a pessoa entende na hora. O assunto era simples desde o começo. O que não estava simples era o texto.
Quem escreve bem no trabalho não escreve bonito. Escreve na ordem em que o outro precisa receber. O texto confuso quase sempre reproduz a ordem em que a ideia apareceu na sua cabeça: contexto, histórico, ponderação, e o pedido lá no fim, quando o leitor já parou de ler. Inverter essa ordem resolve boa parte do problema.
Escreva e Seja Entendido trabalha com o texto que você já precisa escrever: o e-mail que pede uma decisão, a mensagem que cobra sem ofender, o relatório que alguém vai ler no celular entre uma reunião e outra. Cada um tem uma forma própria, e nenhuma delas depende de vocabulário difícil.
Boa parte do rodeio nasce de receio. Você amortece o pedido para não parecer ríspido, acrescenta ressalva para não errar, abre com um parágrafo de cortesia para não soar seco, e no fim ninguém acha o pedido. Ser direto e continuar educado são coisas compatíveis, e o livro mostra onde uma foi confundida com a outra. Quem lê você associa a organização do texto à organização do seu trabalho, mesmo sem formular isso.
Texto confuso não desaparece: ele volta em forma de pergunta, de reunião e de retrabalho. O tempo que você não gastou escrevendo alguém vai gastar decifrando.
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