Vença o bloqueio criativo e volte a escrever com constância
O documento continua aberto na mesma página de semanas atrás. Você senta, relê o que já escreveu, ajusta uma frase e fecha. A escrita não acabou por falta de assunto. Ela parou de acontecer, e cada dia parado torna o dia seguinte mais difícil de começar.
O bloqueio raramente vem da falta de ideia. Costuma vir do julgamento que chega cedo demais: a frase é avaliada antes de terminar de existir, comparada com o livro pronto de outra pessoa e descartada. O que trava a escrita é a revisão trabalhando fora de hora.
Esperar a inspiração transfere a decisão para um estado que aparece quando quer. A constância exige o contrário: um compromisso pequeno o bastante para ser cumprido em dia ruim e um critério de parada que impeça a sessão boa de esvaziar a próxima. É assim que o arquivo volta a crescer sem depender de humor.
Escrever Outra Vez trata também da comparação, que é o combustível mais silencioso do bloqueio. O rascunho de qualquer pessoa é pior que o livro publicado de qualquer outra, porque um passou por revisão e o outro ainda está em bruto. Quem esquece essa diferença mede o próprio texto contra um resultado que ainda não é comparável.
Depois do começo o problema muda de natureza: o entusiasmo inicial acabou, a estrutura embaralhou, e é no miolo do projeto que a maioria dos livros é abandonada. Há capítulos dedicados a esse trecho, incluindo o que fazer quando você percebe que vai precisar reescrever boa parte do que já existe.
O bloqueio quase nunca é falta do que dizer. É a revisão chegando antes da escrita e matando a frase enquanto ela ainda está se formando.
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