Capa do livro Estrangeiro Hoje, em Casa Amanhã, de V.V. Calegari — sobre a solidão de imigrar

Estrangeiro Hoje, em Casa Amanhã

Vença a solidão de recomeçar em outro país — para quem se sente só

eBook Kindle V.V. Calegari · 2026 Disponível no Kindle Unlimited

Pertencer não veio junto com a mudança de país

A data que importa para você passa em silêncio aqui. É dia útil comum, ninguém comenta, ninguém cozinha nada diferente. Do outro lado, o grupo da família manda a foto da mesa posta. Você responde com carinho e fecha o celular numa cozinha onde aquela data não significa nada.

Os de lá seguiram a vida. As conversas passaram a ter nomes que você não conhece e decisões que você soube depois, de um cotidiano do qual você saiu. Os daqui têm círculos formados desde a escola, com histórias que você não viveu. Você acompanha as duas conversas de fora, e nenhuma das duas está esperando por você.

Amizade adulta em país novo não nasce de simpatia. Nasce de repetição: o mesmo horário, o mesmo lugar, as mesmas pessoas, semana após semana. Encontro único produz conversa agradável e mais nada. Aula fixa, time, coral, curso, voluntariado — qualquer estrutura que obrigue a reencontrar as mesmas caras é o que transforma conhecido em vínculo.

Falar bem o idioma adianta menos do que parece quando não existe assunto em comum. O que dá conversa é ter algo para fazer junto. E manter o que veio com você — a comida, a língua dentro de casa, as datas — não atrasa a adaptação. O que atrasa é passar todos os fins de semana apenas com quem também está de fora.

Estrangeiro Hoje, em Casa Amanhã trata do intervalo entre chegar e pertencer. Esse intervalo existe, tem tamanho e não se atravessa por vontade. Atravessa-se construindo poucos pontos fixos na semana e deixando o tempo agir: o dia em que alguém te procura primeiro é o sinal de que a raiz pegou.


Isto provavelmente descreve a sua semana aqui

Você tem contatos e não tem com quem contar
Há colegas, vizinhos e gente simpática. Falta a pessoa que você chamaria numa emergência de madrugada.
Você ri um instante depois dos outros na roda
A piada depende de uma referência que você não tem. Acompanhar a conversa cansa mais do que participar dela.
Você sente falta de ser conhecido, não apenas bem tratado
Aqui ninguém sabe o que você fez antes, quem você foi, o que custou chegar até este endereço.
Ligar para casa alivia e depois piora
A chamada termina e o silêncio do apartamento fica maior do que estava antes de você discar.

O que constrói pertencimento em um lugar novo

1
Por que a solidão de quem imigrou tem forma própria e não cede aos remédios da solidão comum
2
O papel da repetição na formação de vínculo adulto, e as estruturas que a garantem
3
Como entrar em círculos já formados sem forçar aproximação
4
O que fazer com a saudade de quem ficou, sem viver com um pé em cada lugar
5
Manter idioma, comida e datas de origem sem se fechar ao lugar onde você está
6
O momento em que o novo país deixa de ser endereço e passa a ser referência

Ninguém pertence a um lugar por ter mudado para ele. Pertence quando existem pessoas ali que percebem a sua ausência antes de você explicar que faltou.

O que os leitores perguntam sobre este livro

O livro é sobre burocracia de imigração?
Visto, documento e emprego ficam de fora. O assunto é a parte que ninguém prepara: a solidão depois que a mudança deu certo e a vida prática já está resolvida.
Serve para quem mudou faz pouco tempo e para quem já está há anos?
Os dois. A chegada tem seus problemas e a permanência tem outros, sobretudo o de estar estabelecido e ainda assim sem raiz. O livro trata desses momentos separadamente.
E se eu ainda não falo bem o idioma?
Parte das estratégias existe justamente para esse período. Atividade com objetivo comum reduz a exigência de conversa, e a língua melhora dentro do convívio, em vez de antes dele.
Vale para quem foi sozinho e para quem foi em família?
Para os dois, com pesos diferentes. Quem foi acompanhado tem apoio em casa e costuma adiar a construção de rede fora dela. O livro aponta esse risco e trata dele à parte.
E se eu estiver pensando em voltar?
O livro não empurra decisão nenhuma. Ele separa a vontade de voltar que nasce de um projeto da que nasce de solidão, porque as duas pedem respostas diferentes.

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Sobre o Autor
V.V. Calegari

V.V. Calegari escreve sobre dinheiro, uso do tempo, propósito, rotina de trabalho, preparação para provas e criação de filhos.

Os livros são guias práticos: cada um assume um problema específico e desce ao que a pessoa precisa fazer com ele.

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