Crie uma rotina devocional em família que cabe na correria do dia
Todo mundo jantou. A louça está na pia, a mochila da escola precisa ser arrumada e alguém ainda não tomou banho. O momento de fé em família que você tinha planejado para hoje foi empurrado outra vez para amanhã. E amanhã tem treino, prova e um dia que já começa cheio antes de você acordar.
A imagem que você carrega na cabeça atrapalha: a família sentada, os filhos quietos, um tempo longo e sereno. Comparada com essa cena, qualquer tentativa real parece fracasso. A criança se mexe, o irmão interrompe, o adulto está cansado. Você conclui que hoje não dá e adia para um dia em que a casa esteja mais calma.
O que planta raiz não é o tamanho do encontro, é a frequência dele. Um trecho lido na mesa enquanto todo mundo ainda está sentado. Uma pergunta feita no carro a caminho da escola. Uma frase antes de apagar a luz. Cada um desses cabe num dia comum, e cabe justamente porque não pede que o dia seja diferente do que é.
Idades diferentes na mesma casa complicam o desenho. O adolescente acha infantil, a criança pequena não acompanha a conversa, e quem conduz acaba mirando no meio e não acertando nenhum dos dois. O livro trata dessa mistura: que tipo de pergunta serve às duas idades, quando separar os momentos, e o que fazer quando um deles simplesmente não quer participar naquele dia.
Vai ter dia perdido, e vai ter semana inteira perdida. A Fé que Cabe na Rotina trata a falha como parte do desenho e não como sinal de que você deveria parar: o hábito que volta depois de sumir por uns dias sustenta mais do que o ritual bem planejado que nunca chegou a começar.
Raiz não se forma em ocasião solene. Forma-se no que se repete: a mesma frase, no mesmo canto da casa, num dia qualquer da semana.
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