Ajude a criança tímida a fazer amigos e a ganhar confiança
O aniversário é de um colega de sala. As crianças correm entre as mesas e o seu filho fica de pé ao seu lado, observando. Você diz que é só chegar perto e falar. Ele não sai do lugar. E você sente uma mistura de dó e impaciência de que vai se arrepender no caminho de volta para casa.
A cena se repete em lugares diferentes. No parquinho ele brinca ao lado do grupo, nunca dentro dele. Na escola espera ser chamado, e às vezes não é. Um convite chega e a resposta sai baixa, com os olhos no chão. Você sabe o tamanho do que ele tem por dentro e teme que ninguém em volta chegue a ver.
Entre as duas respostas possíveis, nenhuma resolve. Empurrar — vai lá, fala com eles — confirma para a criança que o jeito dela está errado e ainda acrescenta a plateia de um adulto avaliando. Proteger tira o desconforto da vez e tira também o treino. O caminho que o livro descreve é mais lento e fica entre os dois.
Timidez, na maior parte das vezes, não é falta de vontade de conviver. É um alarme que dispara cedo demais diante do que é novo. O que reduz esse alarme é exposição em dose pequena, previsível e repetida: chegar antes dos outros, começar com uma criança de cada vez, entrar numa brincadeira que ainda está se formando em vez de numa que já está fechada.
O Filho Tímido não trabalha para produzir uma criança extrovertida. Trabalha para que ela tenha repertório de chegar quando quiser chegar, e para que preferir um amigo próximo a uma roda grande deixe de ser tratado, dentro de casa, como um defeito que precisa ser corrigido antes que seja tarde.
A criança reservada não precisa virar outra pessoa. Precisa de treino em pedaços pequenos e de um adulto que pare de tratar o silêncio dela como falha.
Leitura gratuita para assinantes do Kindle Unlimited.
Comprar na AmazonVocê será redirecionado para a Amazon.com.br