Educação emocional para crianças: ensine a lidar com as emoções
Seu filho está no chão do supermercado, gritando por algo que você já negou. As pessoas em volta olham. Na sua cabeça existem duas opções, e as duas são ruins: levantar a voz até ele parar, ou entregar o que ele quer para o barulho acabar. Qualquer uma das duas você vai remoer no caminho de casa.
Você sabe bem que tipo de pai não queria ser. O que grita. O que ameaça com uma coisa que não vai cumprir. No calor do episódio, porém, o repertório disponível é curto, e sai de você aquilo que você viu alguém usar quando a criança na cena era você.
A birra costuma ser uma emoção sem tradução. A criança sente algo grande, não tem palavra para separar raiva de frustração nem de cansaço, e ainda não dispõe do mecanismo interno que baixa a intensidade sozinho. O corpo resolve do jeito que consegue: grito, choro, chão. Pedir calma no auge chega tarde demais para funcionar.
Dar nome ao que ela sente muda o que vem depois. Nomear não encerra o episódio na hora e não substitui o limite — o não continua sendo não, com a mesma firmeza. O que a nomeação faz é construir, ao longo dos meses, o vocabulário que permite à criança dizer o que está acontecendo antes de precisar demonstrar no chão.
Existe uma segunda pessoa envolvida na cena, e é você. Filhos Que Sabem o Que Sentem trata também do adulto que precisa segurar a própria temperatura enquanto atravessa a tempestade do outro. Ninguém ensina regulação emocional estando descontrolado, e a criança aprende olhando para quem está do lado dela naquele minuto.
Criança não nasce sabendo separar raiva de frustração. Enquanto a emoção não tem nome, ela sai pelo corpo — e o corpo grita, se joga e chora.
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