Capa do livro Filhos Que Sabem o Que Sentem, de Graciele Faria — sobre educação emocional na infância

Filhos Que Sabem o Que Sentem

Educação emocional para crianças: ensine a lidar com as emoções

eBook Kindle Graciele Faria · 2026 Disponível no Kindle Unlimited

A birra no meio do mercado e as duas saídas ruins

Seu filho está no chão do supermercado, gritando por algo que você já negou. As pessoas em volta olham. Na sua cabeça existem duas opções, e as duas são ruins: levantar a voz até ele parar, ou entregar o que ele quer para o barulho acabar. Qualquer uma das duas você vai remoer no caminho de casa.

Você sabe bem que tipo de pai não queria ser. O que grita. O que ameaça com uma coisa que não vai cumprir. No calor do episódio, porém, o repertório disponível é curto, e sai de você aquilo que você viu alguém usar quando a criança na cena era você.

A birra costuma ser uma emoção sem tradução. A criança sente algo grande, não tem palavra para separar raiva de frustração nem de cansaço, e ainda não dispõe do mecanismo interno que baixa a intensidade sozinho. O corpo resolve do jeito que consegue: grito, choro, chão. Pedir calma no auge chega tarde demais para funcionar.

Dar nome ao que ela sente muda o que vem depois. Nomear não encerra o episódio na hora e não substitui o limite — o não continua sendo não, com a mesma firmeza. O que a nomeação faz é construir, ao longo dos meses, o vocabulário que permite à criança dizer o que está acontecendo antes de precisar demonstrar no chão.

Existe uma segunda pessoa envolvida na cena, e é você. Filhos Que Sabem o Que Sentem trata também do adulto que precisa segurar a própria temperatura enquanto atravessa a tempestade do outro. Ninguém ensina regulação emocional estando descontrolado, e a criança aprende olhando para quem está do lado dela naquele minuto.


Você vai se identificar se...

Você jurou não gritar e gritou de novo hoje
De manhã a intenção estava clara. À noite a cena se repetiu igual.
Seu filho vai da calma à explosão sem aviso
Não existe etapa intermediária. Quando você percebe, já está no ápice.
Você cede para o choro parar e se arrepende em seguida
A paz dura até a próxima loja. O que a criança aprendeu foi outra coisa.
Ninguém te ensinou a lidar com o que você sente
Você está tentando ensinar em casa aquilo que não recebeu quando era a criança.

Da birra à conversa: o que muda quando a emoção ganha nome

1
O que acontece dentro de uma birra, e por que pedir calma no auge não produz calma
2
O vocabulário que separa raiva, frustração, medo e cansaço na cabeça da criança
3
Limite firme e acolhimento no mesmo gesto, sem gritar e sem voltar atrás depois
4
A plateia: parentes que opinam, vizinhos que olham, o corredor do mercado
5
A regulação do adulto, que vem antes: o que fazer com a sua raiva antes de responder à dela
6
O reparo depois do episódio, e o que dizer quando quem perdeu o controle foi você

Criança não nasce sabendo separar raiva de frustração. Enquanto a emoção não tem nome, ela sai pelo corpo — e o corpo grita, se joga e chora.

O que os leitores perguntam sobre este livro

Nomear a emoção não é passar a mão na cabeça?
Nomear e ceder são movimentos diferentes. O limite permanece de pé enquanto a emoção é reconhecida, e é justamente essa combinação que o livro detalha, com o que dizer em cada parte do episódio.
A partir de que fase isso funciona?
Desde que a criança começa a falar, em versão simples, e vai ficando mais elaborado conforme ela cresce. As situações descritas cobrem a primeira infância e a idade escolar.
E quando a birra acontece em público?
O livro trata desse cenário separadamente, porque a plateia muda o comportamento do adulto. O que costuma piorar a cena é a pressa de encerrá-la para reduzir o constrangimento de quem está olhando.
Meu filho me bate durante a crise. O que fazer?
Agressão física entra como limite físico imediato, com a emoção nomeada depois que o corpo se acalma. O livro separa contenção de punição, e trata das duas com passos concretos.
Como isso é diferente de um livro de disciplina positiva?
O eixo aqui é o vocabulário emocional da criança e a regulação do adulto durante a crise. A disciplina aparece como consequência disso, e não como o assunto principal do livro.

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Sobre o Autor
Graciele Faria

Graciele Faria escreve sobre criação de filhos, limites e disciplina, casamento, saúde e organização da vida doméstica — incluindo o uso prático de tecnologia em casa.

Seus títulos tratam de situações reconhecíveis: a birra que ninguém sabe interromper, o casal no piloto automático, o autocuidado que fica sempre por último.

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