Disciplina emocional para os dias em que nada coopera.
Sua disciplina funciona. Nos dias bons ela funciona bem: você acorda na hora, come o que planejou, responde com paciência, entrega o que prometeu. O problema é a terça em que a notícia ruim chega antes do café, o corpo trava, e das suas regras não sobra nenhuma até o fim da tarde.
O estrago maior não está no dia. Está no rastro que ele deixa. A resposta atravessada de manhã vira o almoço fora do plano, que vira o treino descartado, que vira a semana dada como perdida antes de quarta-feira. Um tropeço sozinho custa pouco. A cadeia que ele puxa é o que sai caro.
Regular emoção não é deixar de sentir. Anestesiar funciona por algumas horas e cobra depois, com juros. O que este livro descreve é outra coisa: reconhecer o sinal antes do transbordo, dar nome ao que chegou e escolher o que ainda vai ser cumprido mesmo com a emoção no volume alto.
A maior parte do que se escreve sobre disciplina supõe um leitor descansado: acordar cedo, bater meta, marcar o hábito no quadro. Firme nos Dias Ruins trata do outro dia. Aquele em que a vontade sumiu, o cansaço apertou, ninguém está olhando e nada do que costuma motivar você alcança.
O dia ruim vai continuar chegando. Ele não avisa e não pede licença. O que dá para mudar é o alcance dele: se termina quando o sol se põe ou se contamina a semana seguinte inteira. Quem trata o mau dia como passagem volta ao eixo mais rápido do que quem o trata como veredito.
Disciplina não se mede no dia em que você acorda disposto. Mede-se no dia em que a emoção transborda e você ainda cumpre o que importa.
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