Técnicas de redação para concursos — escreva sob pressão sem travar
A prova começou e o relógio anda. A folha continua com o cabeçalho preenchido e mais nada abaixo dele. Você conhece o assunto, tem posição formada, leu sobre isso na semana passada. E a mão não sai do lugar. Ao lado, alguém já virou a página do rascunho.
O bloqueio raramente é de conteúdo. É de ordem. Sem uma sequência decidida antes de escrever, a introdução tenta dizer tudo de uma vez e o texto fica preso ali, refeito e apagado, enquanto o tempo que seria da argumentação vai embora.
Estrutura não engessa argumento — libera atenção. Quando cada parágrafo já tem função definida, a cabeça fica livre para pensar no que dizer dentro dele, em vez de decidir o que vem depois. O corretor, por sua vez, lê texto atrás de texto e reconhece de longe tanto o modelo decorado quanto a ausência completa de plano.
Da Folha em Branco à Nota Máxima trata a redação como construção: planta antes de parede. Tese definida, argumentos escolhidos por força e não por ordem de chegada, repertório usado onde sustenta alguma coisa, conclusão que fecha com proposta em vez de resumir o que já foi dito.
A redação costuma decidir a classificação entre candidatos que já passaram nas objetivas. É a única parte da prova em que o mesmo conhecimento produz resultados distantes, e essa distância se explica por método — que se aprende antes, com folha pautada e cronômetro, e não no dia da prova.
Quem escreve bem sob pressão não pensa mais rápido. Chega na prova com a estrutura já decidida e gasta o tempo escolhendo palavra, em vez de escolher caminho.
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