Escreva as suas memórias e deixe a sua história registrada para quem vem depois
Alguém pergunta como era a casa em que você cresceu. A resposta sai em uma frase. O resto continua ali inteiro — o cheiro da cozinha, o barulho do portão, o nome de quem morava ao lado — e não encontra caminho para fora.
Você pensa em escrever. Aí vem a lista de razões para não começar: sua vida não teve nada de excepcional, você não escreve bem, memória de família não interessa a ninguém fora da família. Todas caem pelo mesmo motivo. Quem vai ler não procura literatura. Procura você.
Escrever memória não é contar tudo em ordem. É escolher. Um punhado de cenas conta mais de uma vida do que a cronologia completa, porque cena tem lugar, tem gente falando e tem o que estava em jogo. A lista de datas não carrega nada disso.
A História da Sua Vida Merece Ser Contada funciona como caderno guiado. Perguntas que puxam lembrança adormecida, critérios para decidir o que vira capítulo, jeitos de abrir e de fechar um trecho, e o que fazer com a parte que dói ou que envolve outras pessoas.
O que sobra no fim tem destinatário. Uma neta que vai saber por que a família se mudou naquele ano. Um filho que vai entender de onde veio uma teimosia que ele carrega. Fotos com legenda, em vez de rostos sem nome.
Vida comum não existe para quem vem depois. O que hoje parece banal é justamente o que a próxima geração não terá como reconstruir sozinha.
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