Comunicação não violenta para o homem calado: dizer sem explodir.
O que você está sentindo? A pergunta chega e a resposta sai sozinha: nada. Sentimento existe, e é grande. O que falta é o caminho entre o que acontece por dentro e a frase que sairia da boca. Esse caminho nunca foi treinado, e você nunca precisou dele até precisar.
A formação foi outra: resolver problema, aguentar pressão, entregar resultado. Descrever estado interno nunca entrou no currículo. Então, quando a conversa vira para sentimento, você muda de assunto, pega o celular, lembra de algo urgente no trabalho. A saída é sempre a mesma porta, e ela está sempre destrancada.
Quem convive com você lê isso como frieza. Ou como desinteresse. A leitura está errada e segue fazendo estrago, porque a distância cresce sem que ninguém tenha feito nada de errado. Você se importa em silêncio, e o silêncio não comunica aquilo que você imagina que ele comunica.
O Homem que Não Sabe Dizer trata de tradução: como transformar em palavra o que hoje fica travado, mesmo sem nenhuma prática anterior. A comunicação não violenta e a comunicação assertiva entram como ferramenta doméstica — servem para a conversa na cozinha antes de servirem para a reunião de segunda.
O ganho não é ficar eloquente. É que a pessoa do outro lado passa a saber onde você está. Conversa difícil deixa de terminar em porta batida ou em dias de silêncio, e a distância que vinha crescendo em casa para de crescer, sem que você precise virar alguém que fala o tempo todo.
O silêncio não protege ninguém dentro de casa. Quem convive com ele preenche o vazio com a pior interpretação disponível, e a distância cresce sem que uma palavra tenha sido dita.
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