O governo de Cristo sobre o próprio impulso, para quem reage antes de decidir.
A resposta saiu antes de você escolher dizê-la. O tom subiu numa discussão que não merecia tanto. O plano de segunda-feira durou até quinta. Em cada caso o intervalo entre o impulso e a ação foi curto demais para caber uma decisão.
Autocontrole costuma ser tratado como contenção: apertar os dentes e segurar. Nos evangelhos aparece outra coisa. Jesus nunca falou sem pensar, nunca reagiu por reflexo e nunca precisou se conter, porque em momento nenhum esteve prestes a escapar de si mesmo.
As cenas escolhidas colocam isso sob pressão. O deserto, com fome real e um atalho oferecido em termos aceitáveis. O templo, onde a indignação aparece com força total e sem descontrole, e é ali que emoção intensa se separa de perda de governo. Getsêmani, com a vontade humana dita em voz alta e entregue no mesmo fôlego.
JESUS: A Fonte do Domínio Próprio chega à cruz como o ponto em que o argumento se resolve. Descer estava ao alcance. Permanecer foi decisão sustentada hora após hora, sem que nada de fora impedisse a saída. Depois da ressurreição o mesmo governo reaparece de outro modo, quando o vencedor procura Pedro e não abre acerto de contas.
O mundo mede poder pela liberdade de fazer o que se quer. A leitura que atravessa este volume inverte a medida: o maior poder é não pertencer ao próprio desejo. Domínio próprio entra em Gálatas 5 na condição de fruto — cresce a partir de uma raiz, não se fabrica por esforço de mandíbula.
O mundo chama de poder a liberdade de fazer tudo o que se quer. Cristo mostrou a medida invertida: o maior poder é não pertencer ao próprio desejo, tendo todo o resto à disposição.
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