Ansiedade, medo e culpa diante do Cristo que dormia com a água entrando no barco.
De madrugada, com o corpo cansado, a cabeça repassa uma conversa de terça e uma conta que vence antes do salário. Você já testou o aplicativo de respiração. Ele funciona por alguns minutos.
Existe uma cena nos evangelhos que trata desse assunto de um jeito desconfortável. O barco enche de água, pescadores de ofício se dão por mortos, e Jesus dorme. Não finge calma para dar exemplo. Dorme mesmo, com a cabeça apoiada.
JESUS: A Fonte da Paz parte dessa cena e volta a ela o tempo todo. A pergunta que organiza o livro é o que alguém precisa saber sobre o Pai para conseguir dormir ali. A resposta não vem em forma de método.
O percurso passa por Colossenses 1 e a sustentação de tudo o que existe, pelo silêncio diante de Pilatos, por Getsêmani — onde serenidade e angústia aparecem no mesmo corpo, na mesma noite — e pelo perdão pronunciado enquanto os pregos entravam.
Ansiedade não cai por argumento. Ela cede quando você para de calcular a tempestade e olha para quem está dentro do barco.
A paz de Cristo não descreve um mar calmo. Descreve quem viaja no barco. O problema nunca foi a tempestade — foi esquecer quem estava dentro dele.
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