Currículo para quem tem lacunas — explique a pausa e recoloque-se
O documento está aberto e o cursor para no ano que faltou. Você escreve uma data, apaga, tenta uma frase que explique, apaga de novo. O resto do currículo você preenche sem pensar. Esse pedaço trava toda vez, e o arquivo continua salvo como rascunho por mais uma semana.
A pausa teve motivo. A demissão que demorou a virar emprego novo, o tratamento, o filho pequeno, o pai que precisou de alguém em casa, a empresa que fechou e levou a área junto. Nenhum desses motivos tem campo no formulário. O que aparece é um intervalo sem legenda, e o intervalo passa a falar sozinho.
O envio sem resposta faz o resto. Currículo enviado, silêncio, currículo enviado de novo. Você começa a atribuir o silêncio à lacuna, porque é a explicação mais à mão. A partir daí a linha em branco deixa de ser um problema de documento e vira uma dúvida sobre a sua competência.
A Lacuna Não Te Define separa as duas coisas. Uma é redação: onde a pausa entra, com que palavra, e o que ocupa o espaço em torno dela. A outra é a leitura que você faz de si mesmo enquanto escreve. A segunda costuma sabotar a primeira, e é por ela que o livro começa.
Quem recruta passa os olhos pela lacuna e segue adiante. Você olha para ela desde que ela começou. É nessa distância que o livro se instala: nomear a pausa em uma frase firme, sem desculpa e sem história inventada, e voltar a se candidatar sem carregar o intervalo junto.
A lacuna ocupa uma linha do documento e o dia inteiro da sua cabeça. Quem lê o currículo nunca dedicou a ela nem uma fração desse tempo.
Leitura gratuita para assinantes do Kindle Unlimited.
Comprar na AmazonVocê será redirecionado para a Amazon.com.br