Um professor que só acredita em documento encontra o documento que ninguém deveria encontrar.
Leonardo Rossi não trabalha com conspiração. Trabalha com datação, procedência e cadeia de custódia. Quando um arquivista que ele mal conhecia morre e lhe deixa um fragmento de pergaminho em aramaico, o professor faz o que faria com qualquer material anônimo: registra, fotografa e começa a checar de onde aquilo veio.
A checagem não passa despercebida. Um pedido de acesso negado sem explicação. Um colega que muda de assunto. Depois a primeira ameaça, e em seguida um morto que Rossi conhecia pelo nome. O fragmento deixa de ser um problema de laboratório no instante em que alguém decide que ele não pode ser lido.
O pergaminho é parte de um documento desmembrado. As outras partes foram separadas de propósito e guardadas longe umas das outras, e a distância entre elas é a única coisa que ainda as mantém inofensivas. Reuni-las passa a ser o trabalho de Rossi — de Oxford a Istambul, do deserto do Sinai a Jerusalém.
Do outro lado há uma organização antiga, com dinheiro, arquivo próprio e paciência de séculos. Ela nunca discute o conteúdo do Codex Vitae. Ela impede que o conteúdo chegue a quem possa verificá-lo. Contra um acadêmico que só sabe trabalhar com evidência, essa é a estratégia mais eficiente que existe.
O que Rossi persegue tem material, escrita e proveniência — coisas que um laboratório confere sem depender de fé. É isso que torna a caçada perigosa. O Legado do Codex Vitae trata do que acontece com quem carrega uma prova verificável até o fim, sabendo quem está atrás dela.
Uma verdade que pode ser datada em laboratório é mais perigosa do que qualquer heresia. Heresia se refuta. Evidência precisa ser enterrada, e alguém teve séculos para fazer isso.
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