Como ler pessoas pela linguagem corporal, pelas microexpressões e pelos sinais que ninguém controla.
A reunião terminou com um sim. Você saiu de lá com a certeza de que não era sim, sem conseguir apontar o que produziu essa certeza. Alguma coisa no rosto, no tempo da resposta, na mão que parou no meio do gesto. Você registrou o sinal, não soube nomear, e descartou como impressão sua.
Boa parte do que uma pessoa comunica sai pelo canal que ela não redige. A voz escolhe a palavra; o corpo entrega o estado. Um trabalha enquanto o outro fala, e o desencontro entre eles é o dado mais útil de qualquer conversa. Ler gente é perceber esse desencontro e saber o que ele costuma indicar.
Linguagem Secreta percorre os canais separadamente. As microexpressões que atravessam o rosto numa fração de segundo, antes de o controle chegar. A postura, as mãos e a distância física, que informam sobre conforto e fronteira. O ritmo da fala, as pausas e a entonação, onde o estado emocional aparece mesmo com o texto sob domínio.
O erro comum é transformar sinal em veredito. Braço cruzado pode ser frio na sala. Olhar desviado pode ser timidez, respeito cultural ou uma tela acesa atrás de você. O livro insiste no contexto, na linha de base de cada pessoa e no agrupamento de sinais, porque gesto isolado não sustenta conclusão nenhuma.
Ler bem alguém não serve para pegar a pessoa em contradição. Serve para saber quando a conversa já acabou, quando a objeção existe e não foi dita, e quando alguém está desconfortável e não vai avisar você por conta própria.
Nenhum gesto tem tradução fixa. O que informa é o desencontro entre o que a pessoa está dizendo e o que o corpo dela faz enquanto ela diz.
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