Para a mãe que voltou ao trabalho, diz sim para todo mundo e não cabe mais na própria rotina.
O pedido da escola chega no meio do expediente e você responde que sim antes de abrir o calendário. Depois vem o da chefia, o do grupo da família, o da sogra. Nenhum é absurdo sozinho. O tamanho só aparece na sexta, quando a semana acaba e nada do que era seu entrou nela.
A culpa não escolhe lado. No trabalho, cobra a ausência de casa. Em casa, cobra o relatório parado. E se você senta um instante sem função nenhuma, ela cobra os dois de uma vez. É um arranjo sem posição vencedora, o que explica por que se esforçar mais nunca resolveu nada aqui.
Boa parte do que você carrega não nasceu seu. Foi entregue porque você aceitou uma vez, porque ninguém mais se ofereceu ou porque recusar custaria uma conversa difícil naquele dia. As tarefas ficaram. E ficaram com o seu nome, sem que houvesse combinação nenhuma sobre isso.
Recusar é uma habilidade com técnica, não um traço de personalidade. Tem frase, tem hora e tem procedimento para quando a pessoa insiste ou se magoa. Mãe de Volta, Mãe Inteira trabalha o limite que se sustenta depois da primeira cobrança, que é exatamente onde a maioria deles cai.
Recuperar o próprio lugar não tira de quem depende de você. Tira de quem se acostumou a delegar. A renegociação é desconfortável nas primeiras semanas e é o que devolve você para dentro da própria rotina, como pessoa e não como escala de plantão.
Você não sumiu por falta de amor. Sumiu porque foi ocupando cada papel que apareceu, e nenhum deles tinha o seu nome dentro.
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