Inteligência emocional para adolescentes: entender a raiva, o medo e a ansiedade que chegam sem aviso.
Você estava bem. Chegou uma mensagem, ou um comentário numa foto, ou não chegou nada — e a raiva subiu num tamanho que não combina com o que aconteceu. Mais tarde passou. Sobrou a impressão de que alguma coisa dentro de você funciona errado e ninguém mais tem esse problema.
O que muda nessa fase é o intervalo entre sentir e agir. A parte do cérebro que dispara a emoção já trabalha a todo vapor. A parte que segura, avalia e escolhe a resposta ainda está sendo construída, e vai levar anos nisso. Não é falha de caráter: é obra em andamento.
Emoção sem nome vira comportamento. Você não sabe que aquilo é medo, então briga. Não sabe que é vergonha, então some do grupo. Dar nome ao que chegou muda o que acontece depois, porque nomear já é o começo de uma escolha em vez de uma reação automática.
As ferramentas vêm da terapia cognitivo-comportamental, traduzidas para fora do consultório. São coisas concretas: identificar o pensamento que veio junto com a emoção, checar se ele é fato ou previsão, e decidir o que fazer com o corpo enquanto a onda passa.
Regular emoção não significa ficar calmo o tempo todo nem fingir que está tudo bem. Significa continuar sendo você durante a onda, em vez de ser levado por ela, e ir montando no meio do caos uma ideia de quem você é que não dependa do que os outros aprovam naquela semana.
O seu cérebro está em obras. A parte que dispara a emoção já funciona a todo vapor, e a que segura o impulso ainda está sendo construída.
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