TDAH adulto: o que fazer com o diagnóstico, no trabalho e nas relações
O diagnóstico chegou e a primeira reação foi alívio. A segunda foi não saber o que fazer com aquilo. A palavra existe, cabe no que você viveu, e mesmo assim a reunião de amanhã continua marcada, o e-mail sem resposta continua lá e a pilha na mesa não mudou de tamanho.
Antes do nome havia uma coleção de frases: desligado, relaxado, inteligente mas sem aplicação. Você acreditou nelas, porque a evidência parecia sólida — os prazos perdidos existiam, as chaves sumiam mesmo. O diagnóstico não apaga esse histórico. Ele propõe outra leitura para ele, e essa releitura mexe com uma autoestima construída em cima da explicação anterior.
Tem ainda o que ninguém avisa. A emoção que chega inteira e passa depressa. A irritação desproporcional ao motivo. O entusiasmo que evapora no meio do projeto. E o hiperfoco, que aparece como talento nos dias em que serve ao trabalho e como armadilha nos dias em que devora a noite inteira.
Mente Hiperativa trata desse depois: como a sua atenção se distribui, o que ajustar no ambiente de trabalho e nas reuniões, o que contar para chefe e para parceiro e em que termos, e onde entram terapia e acompanhamento clínico quando a conversa chega neles. Nada aqui pretende consertar você.
Ninguém rende bem lutando contra o próprio desenho. O que muda o dia não é esforço maior — é parar de gastar esforço tentando funcionar como funcionaria outra pessoa.
O diagnóstico não conserta o dia seguinte. Ele explica por que o dia anterior custou tanto, e é a partir dessa explicação que o resto começa a se organizar.
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