Mudança de carreira para quem tem contas, família e medo de largar a rotina.
Você abre a vaga, lê a descrição até o fim, confere o salário e fecha a aba. Vem repetindo isso há meses, sempre no mesmo horário e sempre com o mesmo desfecho. Do lado de ficar existe um custo. Do lado de sair, outro. Nenhum deles se apresenta como o menor, e é por isso que a decisão continua parada.
A conversa em volta atrapalha mais do que ajuda. De um lado, quem manda pedir demissão e seguir o sonho sem saber quanto custa a sua casa. Do outro, quem lembra que você está bem onde está, com uma preocupação que é em parte sua e em parte dele. Ninguém nessa conversa está olhando para as suas contas.
Trocar de área mexe na identidade antes de mexer no salário. Você é apresentado pelo que faz, resolve problemas com o repertório que construiu, e boa parte do que sabe fazer bem some do currículo quando o rótulo muda. É essa perda que assusta, mesmo nos casos em que a conta fecha.
Mudar de Rumo Sem Cair começa pelo diagnóstico, porque nem toda vontade de sair é vontade de trocar de profissão. Às vezes o desgaste é da empresa, da chefia ou do formato do trabalho. V.V. Calegari separa esses casos antes de discutir qualquer plano, porque a saída errada custa anos e demora a ser corrigida.
Depois vem a travessia em etapas, com o sustento protegido enquanto o próximo capítulo é construído em paralelo. Virada segura é lenta por definição. E é a lentidão que evita a queda.
Ficar também é uma escolha com custo. A diferença é que o custo de ficar chega parcelado e o de sair chega de uma vez, o que faz o primeiro parecer menor do que é.
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