Aprender um instrumento do zero, na vida adulta, sem a conversa da idade certa.
O violão está encostado atrás da porta. O teclado está guardado com a capa. Você passa por eles todo dia e o pensamento é sempre o mesmo — devia ter começado quando era criança. Aí o assunto morre até a próxima vez que você passa.
A ideia de idade certa vem de comparação com quem começou cedo e chegou longe. É uma comparação que ignora o que você tem e a criança não tinha: paciência para repetir sem reclamar, capacidade de entender por que uma coisa funciona e liberdade para escolher o que quer tocar.
O que trava de verdade é a primeira semana. O som sai torto, a ponta dos dedos dói, a mão esquerda não obedece. Todo mundo passa por isso, inclusive quem começou criança e hoje toca bem. Quem para ali desiste do desconforto inicial, não do instrumento.
A Música que Mora em Você assume o adulto iniciante como ele é: pouco tempo por dia, vergonha de errar perto de alguém, memória que aprende de outro jeito. V.V. Calegari monta o estudo em blocos curtos, encaixados na rotina, com uma música escolhida por você funcionando como destino.
Tocar por prazer não precisa virar projeto de carreira. Um instrumento na mão ocupa a cabeça inteira por alguns minutos, o que é raro em qualquer outra coisa que se faça sentado.
A mão desajeitada da primeira semana é igual em qualquer idade. Quem para ali confunde o começo com um veredito sobre o próprio talento.
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