Monte um portfólio do zero, mesmo achando que não tem o que mostrar
A vaga pede portfólio. Você abre um documento em branco, digita o próprio nome e para. Tem anos de trabalho entregue nas costas e nenhuma pasta com aquilo dentro. O que existe está espalhado em sistema de empresa antiga, em conversa de e-mail e na cabeça de gente que já saiu de lá.
Currículo é declaração. Portfólio é prova. Quem contrata lê a declaração com desconfiança, porque todo mundo escreve as mesmas linhas; a prova encurta a decisão, porque mostra o problema, o que foi feito e o que mudou depois. A diferença entre dois candidatos raramente é competência. É evidência disponível na hora certa.
A primeira parte do trabalho é arqueologia. A planilha que você montou e o setor inteiro passou a usar. O processo que você reorganizou porque ninguém achava nada. O cliente difícil que voltou. Nada disso parece projeto enquanto está solto no meio da rotina, e quase todo mundo tem mais material do que imagina.
Quando a trajetória não cobre a área nova, a saída é produzir peça própria: um caso resolvido do zero, feito por conta e apresentado com o mesmo rigor de um trabalho pago. Mariovaldo Carrilho monta o portfólio como argumento para alguém decidir rápido, e quem decide olha por pouco tempo — então a ordem das peças pesa tanto quanto elas.
Ninguém contrata o que você sabe fazer. Contrata o que consegue ver. Entre dois profissionais parecidos, decide quem tem a prova à mão no momento da pergunta.
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