Seja um pai presente de verdade — para o pai ocupado na correria
Ele chega com o tablet para mostrar alguma coisa e você diz que já vai, sem tirar os olhos do celular. Ele espera um pouco e vai embora. Na vez seguinte nem chega perto: vai direto para a mãe. Você percebeu o momento em que isso começou a acontecer e não soube o que fazer com a informação.
A distância entre pai e filho não é decidida. Ela se acumula em recusas pequenas, cada uma delas justificável sozinha. A reunião que atrasou. O jogo que estava no fim. O cansaço legítimo de quem acordou cedo para sustentar a casa. Nenhuma é grave. Somadas, ensinam à criança que o pai está ocupado.
Presença não se mede em horas livres. Um pai com o dia inteiro em casa pode passar o dia inteiro em outro lugar. O que a criança registra é atenção sem divisão: o intervalo em que ela é o assunto e nada mais disputa. Isso cabe no trajeto até a escola e no banho antes de dormir.
A culpa costuma ser confundida com solução. O pai lê sobre paternidade, se reconhece na descrição, sente o peso e não muda nada, porque a culpa consome exatamente a energia que a mudança exigiria. Reconhecer o custo serve por pouco tempo. Depois disso, atrapalha.
Graciele Faria escreve para quem ainda quer voltar e acha que passou da hora. Filho mais velho reage devagar e desconfia no começo, e isso não é sinal de porta fechada. É a distância cobrando o mesmo tempo que levou para se instalar.
Nenhum pai decide se afastar. A distância chega em pedaços pequenos, todos justificáveis, e só é percebida no dia em que a criança para de perguntar.
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