Aprenda a escrever devocionais que tocam o coração e edificam na fé
O caderno está aberto desde ontem na mesma página. Tem uma coisa querendo sair: algo que você viveu, um trecho que sustentou uma semana difícil, uma percepção que talvez sirva a outra pessoa. E a caneta para na dúvida de sempre, a de quem é você para escrever isso.
A trava quase nunca é falta de conteúdo. É a suposição de que devocional se escreve com formação teológica, vocabulário elevado e dom literário. Enquanto essa suposição estiver de pé, o texto que abençoaria alguém continua guardado no bloco de notas.
Um devocional funciona por um caminho curto: uma situação concreta, um texto bíblico que a ilumina e uma aplicação que o leitor consegue fazer no mesmo dia. Leliane Calegari desmonta esse caminho em partes e mostra o que cada uma precisa entregar para a pessoa chegar ao fim da leitura.
A voz própria vem antes do estilo. Quem lê devocional percebe rápido quando o autor escreve de fora, repetindo frases que ouviu no púlpito. Escrever a partir do que você atravessou dispensa ornamento, e é o que faz alguém voltar no dia seguinte.
Depois vem a sequência: leituras que conversam entre si e acompanham o leitor ao longo do ano, sem repetir o mesmo assunto nem deixar buracos. É o passo que separa um texto solto de um devocional que vira companhia diária.
Devocional não se escreve com vocabulário difícil. Escreve-se com aquilo que você atravessou, dito de um jeito que o leitor reconheça na própria semana.
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