Faça a tarefa difícil primeiro — para quem vive adiando e procrastina
A ordem do seu dia é sempre a mesma. Primeiro o que responde rápido, depois o que já estava organizado, depois o que aparecer. A tarefa difícil fica para quando sobrar disposição. Disposição não sobra: ela é gasta justamente por saber que aquilo continua ali, intocado, à espera.
Adiar não sai de graça durante o expediente. A tarefa pendente ocupa um canto da cabeça em cada intervalo, no almoço, no trajeto, na conversa com outra pessoa. Você paga em atenção fracionada o dia inteiro o que pagaria de uma vez, num bloco de manhã. À noite vem o combinado com você mesmo de que amanhã será diferente.
A Pedra do Começo propõe uma inversão de sequência. O difícil entra primeiro, antes de abrir a caixa de entrada, antes de resolver a pendência pequena que apareceu no caminho. Leliane Calegari não pede motivação para isso. Pede uma decisão tomada na véspera, quando a tarefa ainda não está olhando para você de frente.
A pedra raramente cabe inteira num primeiro movimento, então ela é reduzida até caber: abrir o arquivo, escrever o trecho ruim, fazer a ligação que destrava o resto. Junto com o começo vem o ponto de parada, definido antes de começar. Sem isso, começar vira compromisso de terminar, e é dele que você foge.
Repetido, o arranjo deixa de depender de força de vontade e vira ordem de trabalho. O dia continua tendo interrupção, reunião inútil e imprevisto. A diferença é que, quando eles chegam, a parte pesada já está resolvida — e o resto do dia é feito por alguém que não está devendo nada a si mesmo.
A tarefa adiada continua trabalhando em você. Ela cobra atenção no intervalo, no trajeto e na hora de dormir, e cobra a mais por não ter sido feita quando ainda era barata.
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