Aprenda a perdoar e soltar a mágoa sem se expor — para quem sofre
Soltar até seria possível. O que impede é a conta seguinte: perdoar parece autorizar aquela pessoa a continuar tendo acesso a você. E acesso, nesse caso específico, já mostrou no que dá. Então a mágoa fica onde está, porque ao menos funciona como aviso permanente.
A mágoa protege mal. Ela avisa sobre uma pessoa e desconfia de todas, acende em horários que não têm nada a ver com o assunto, entra em relações que não tiveram culpa nenhuma. Manter esse alarme ligado é trabalho, e o trabalho é seu. A conta chega no sono, na paciência e no tanto de atenção que sobra para o resto da sua vida.
O livro trabalha as duas operações ao mesmo tempo, porque separá-las é o que costuma falhar na prática. Largar o que pesa por dentro é uma coisa. Decidir quanto de você aquela pessoa volta a alcançar é outra, e essa se decide por comportamento observado ao longo do tempo, não por intenção declarada nem por grau de parentesco.
Perdoar Sem Voltar a Sangrar desmonta a equação em que perdoar significa apagar o registro. O registro fica. Ele passa a informar a distância, o tipo de assunto que você trata com aquela pessoa, o tempo que passa perto, o que deixa de contar. Perdão sem limite reabre a ferida por outro caminho, e ensina que repetir não custa nada.
O que sai daí é uma calma que não depende de pedido de desculpa, nem de a outra pessoa reconhecer o que fez, nem de ela mudar. Você continua sabendo exatamente o tamanho do que aconteceu. Só para de carregar isso como tarefa diária, e o tempo que ela tomava volta para outra coisa.
Perdão trata do que você deixa de carregar. Limite trata do que você deixa de permitir. Confundir os dois é o que faz alguém perdoar e sangrar outra vez pelo mesmo corte.
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