Vença a ansiedade de performance — para o jovem advogado sob pressão
A sustentação saiu bem. O juiz acolheu o pedido, o cliente agradeceu, o colega elogiou no corredor. Mais tarde, em casa, você refaz a fala inteira procurando o ponto em que quase errou. O bom resultado não desliga nada. Ele apenas adia a próxima rodada de revisão até a intimação seguinte chegar.
No Direito, o erro tem endereço público. Prazo perdido, petição com falha, decisão contrária que o cliente lê como incompetência sua. Isso monta uma equação silenciosa em que cada despacho vira veredito sobre você, e não sobre o processo. Quem trabalha assim relê a mesma peça até a leitura perder sentido, e ainda envia com aperto no peito.
Em volta, todo mundo parece dar conta com naturalidade. Ninguém comenta a insônia da véspera nem a mão gelada antes de entrar na sala. O silêncio coletivo sustenta a impressão de que a dificuldade é sua, individual, sinal de que você não serve para isso. É a base da sensação de impostura, e ela cresce com a promoção, não com o fracasso.
O Peso da Toga trata a ansiedade de performance como reação de um corpo que aprendeu a operar em risco constante. Leliane Calegari trabalha no imediato e no que está por baixo dele: o que fazer nos minutos antes de uma audiência e o que fazer com a régua interna que transforma qualquer resultado ruim em sentença sobre o seu valor como pessoa.
A meta não é ficar tranquilo. Ativação faz parte do ofício e sustenta atenção quando a sala exige. O que precisa cair é o excedente: a revisão que já não melhora a peça, o ensaio mental de catástrofes que não vão acontecer, o expediente que continua rodando dentro de você depois que o escritório fechou.
A pressão do processo tem data e prazo. A que você acrescenta por dentro não tem, e é ela que continua funcionando muito depois de a sentença ser publicada.
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