Retome a vida em comunidade e reate laços — para quem se afastou
A mensagem está escrita e não é enviada. Você digita, relê, apaga um trecho, guarda no rascunho. O grupo continua ali, as pessoas continuam se encontrando, e você acompanha de longe pelas fotos. A noite termina como as anteriores: você do lado de fora, sabendo exatamente onde ficava o seu lugar.
O afastamento raramente foi decidido. Um período apertado, uma mágoa mal resolvida, um domingo em que faltar foi mais fácil do que aparecer. Depois disso o tempo trabalha contra: quanto mais longa a ausência, maior a explicação que parece necessária para justificar a volta. E ninguém quer chegar devendo explicação.
A solidão desse intervalo tem uma característica própria. Ela não vem da falta de gente ao redor — vem da falta de um lugar onde a sua ausência é notada. Colega de trabalho, vizinho e contato de rede social ocupam o seu tempo. Nenhum deles ocupa esse espaço.
A Porta de Voltar a Pertencer quebra a barreira em pedaços menores: o primeiro contato com uma pessoa só, antes do grupo; o que responder quando perguntarem onde você andava; o que fazer com a mágoa antiga, se ela ainda estiver de pé. A fé aparece sem cobrança, como parte do que puxa você de volta.
Amizade adulta depende de repetição. Aparecer. Aparecer de novo. Aparecer no dia em que não estava com vontade. O livro trata essa repetição como trabalho concreto e descreve os primeiros encontros do jeito que eles são: curtos, desconfortáveis e bem mais leves do que a versão que você imaginou antes de ir.
A barreira para voltar não cresce por causa do que aconteceu. Cresce por causa do tempo. Cada mês fora aumenta o tamanho da explicação que você imagina precisar dar na chegada.
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