Como morar sozinho pela primeira vez sem afundar na solidão
É noite de terça e não está acontecendo nada. Você jantou de pé, olhando o celular, e agora está no sofá com a televisão ligada só para ocupar o ambiente. Aconteceu uma coisa boa hoje, e você chegou a pegar o telefone para contar. Depois percebeu que não tinha para quem, e largou o aparelho na mesa.
Montar a casa foi a parte fácil. Escolher tudo do seu jeito, comprar as panelas, decidir o horário de cada coisa. Ninguém avisa sobre o resto: o fim de semana sem plano, o feriado que dura demais, a doença banal que fica assustadora quando não há outra pessoa em casa.
A Primeira Casa Só Sua trabalha as duas frentes ao mesmo tempo. Dentro de casa, a rotina que dá temperatura ao lugar: horários que existem porque você decidiu, refeição que é refeição e não abastecimento, um cômodo que convida a ficar. Fora de casa, a construção de vínculo adulto, que deixou de acontecer por acaso quando a escola acabou.
A solidão não desaparece porque a casa ficou bonita, e o livro não promete isso. Ela diminui quando a semana ganha pontos fixos com outras pessoas e a casa deixa de ser só o lugar onde você dorme. O ajuste é lento, feito de coisas pequenas, e costuma acontecer antes de você reparar que aconteceu.
Morar sozinho entrega liberdade no primeiro dia e cobra companhia algumas semanas depois. As duas vêm no mesmo pacote, e só a segunda precisa ser construída por você.
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