Para quem sabe exatamente o que fazer e trava na hora de começar
A tarefa está na lista há tempo suficiente para você saber o texto do lembrete de cor. Você sabe o que fazer, sabe onde está o arquivo, sabe quanto tempo levaria. Mesmo assim, toda vez que chega a hora aparece um café, uma mensagem, uma consulta rápida que não era rápida.
O adiamento acontece num ponto estreito: o instante entre decidir fazer e fazer. Antes desse instante a tarefa cresce na sua cabeça, ganha etapas que ela não tem e consequências que ela não terá. O que você evita não é o trabalho. É a versão inflada dele.
O livro ataca esse instante com um compromisso curto e fixo: um bloco de tempo tão pequeno que recusar fica ridículo, com permissão explícita para parar no fim dele. A permissão é o que faz o mecanismo funcionar. Sem ela, a cabeça trata o começo como entrada num túnel sem saída.
O que acontece depois costuma se repetir. Começar dissolve a versão inflada da tarefa, e o trabalho segue além do combinado porque parar no meio incomoda mais do que continuar. Nos dias em que não segue, o bloco já foi cumprido e a tarefa saiu do lugar. Nenhum dos desfechos depende de motivação.
Você não adia a tarefa. Adia o desconforto de começá-la, que dura pouco e desaparece assim que a primeira ação acontece.
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