A arte de recomeçar e vencer o medo — para quem trava na mudança
A mensagem está escrita. Você releu, trocou uma palavra, deixou salva como rascunho. Faz semanas. Todo dia você abre, lê de novo e conclui que ainda precisa pensar um pouco mais antes de enviar.
A cabeça monta o desastre em alta definição e monta o bom resultado no vago. Você descreve com detalhe o que pode dar errado — a resposta seca, o dinheiro que acaba, a cara das pessoas — e não consegue descrever com a mesma nitidez como seria se desse certo. A comparação é desigual, então a decisão sai sempre do mesmo lado.
Preparação tem fim. Você reúne o que precisa, chega ao suficiente e age. Quando a pesquisa não termina, quando cada informação nova abre outra pergunta e o prazo vai andando sozinho, o que está acontecendo já deixou de ser preparo. Ganhou o nome de cuidado porque cuidado é elogiável.
A tentativa anterior que deu errado entra na conta como prova. Foi um episódio, decidido com o que você sabia na época e nas condições daquele momento, e virou sentença sobre tudo que veio depois. Junto com ela chega o peso de achar que já é tarde, que rouba justamente o tempo que ainda existe.
Coragem aqui não é estado de espírito, e sim consequência. O primeiro passo precisa ser pequeno o bastante para acontecer antes que o medo se organize. Depois dele o cenário deixa de ser simulação e passa a devolver informação — quase sempre menos assustadora do que o ensaio.
O medo não vai embora antes do movimento. Ele diminui depois, quando o passo já foi dado e a realidade responde menos assustadora do que o ensaio.
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