Volte à rotina e vença a procrastinação — para quem parou de vez
A pilha está toda ali. O e-mail sem resposta desde o começo do ano, a consulta que ficou de ser marcada, o documento que venceu, a roupa que não voltou para o armário. Cada item foi pequeno no dia em que apareceu. Juntos formam um muro, e você olha para ele da cama, calculando por onde daria para entrar.
A tentativa de voltar costuma ter o mesmo desenho. Segunda-feira, plano completo, tudo de uma vez, como se o intervalo não tivesse existido. A primeira semana consome o pouco que havia, o plano desaba, e a queda entra como prova de que agora você não dá conta. O erro não estava na sua capacidade. Estava no tamanho escolhido para o retorno.
Boa parte do que parece preguiça é receio. A ligação que você adia é a que pode trazer notícia ruim; o documento que não abre é o que mostra quanto tempo passou. Graciele Faria organiza a fila por esse critério e define o tamanho do passo pelo dia de hoje, não pelo que você dava conta antes.
Cada item resolvido devolve um pouco de crédito com você mesmo, e é esse crédito que sustenta o próximo. Não há corrida a recuperar: o tempo parado aconteceu e ninguém vai devolvê-lo. O que dá para montar é uma rotina que aguente a próxima semana ruim sem desabar inteira.
Você não precisa voltar ao ritmo antigo para voltar a andar. O passo que serve é o que cabe no seu pior dia da semana, porque é ele que continua existindo quando o entusiasmo acaba.
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