Quadro de rotina visual infantil com imagens — para crianças no TEA
Você avisa que falta pouco para sair. Avisa de novo, mais alto. A criança continua exatamente onde estava, como se nada tivesse sido dito. Você repete pela última vez já com a voz mudada, ela reage à voz e não à instrução, e o dia começa desgastado para todo mundo antes de alguém abrir a porta.
O ponto de falha quase nunca é a tarefa. É a transição: parar o que está bom para começar o que não foi escolha dela. E o aviso que você dá vive num terreno abstrato — daqui a pouco, depois do desenho, na hora certa. Tempo é a última coisa que uma criança pequena aprende a enxergar.
Um quadro de rotina tira a sequência do dia da sua memória e a coloca numa parede, na altura dos olhos dela. As etapas viram imagens que a criança confere sozinha. Quem cobra deixa de ser você e passa a ser o quadro. Brigar com um quadro não tem graça, e a disputa esvazia.
A Rotina que a Criança Enxerga trata da montagem e do que dá errado nela. Quadro com passos demais vira parede de instrução e a criança para de olhar. Quadro bonito demais vira enfeite. Adulto que muda a ordem por conveniência derruba a confiança na sequência inteira, e o quadro perde autoridade num único dia.
Vale para a criança agitada, para a ansiosa e para a criança autista. O que muda é a granularidade dos passos e a quantidade de apoio; o princípio continua o mesmo. Criança que sabe o que vem depois discute menos, porque parou de precisar disputar o controle do próprio dia.
A criança não está desobedecendo à rotina. Ela está tentando seguir uma rotina que existe apenas dentro da cabeça do adulto e chega até ela em forma de aviso repetido.
Leitura gratuita para assinantes do Kindle Unlimited.
Comprar na AmazonVocê será redirecionado para a Amazon.com.br