Imponha limites e proteja a sua energia — para quem é altamente sensível.
A grosseria de um desconhecido continua girando na sua cabeça horas depois. O episódio durou segundos. A reverberação toma o resto do dia.
O corpo capta em volume alto o que outras pessoas registram baixinho. Som, luz, tensão no ambiente, humor de quem está por perto. Nada disso passa por filtro. No fim do dia sobra um esgotamento que não corresponde a nada que tenha acontecido e uma explicação insuficiente: você é sensível demais.
Sentir Tudo sem Se Perder parte de outro lugar. A sensibilidade capta informação real — a tensão que você sentiu na sala costuma existir mesmo. O problema não está na captação. Está na ausência de borda entre o que é seu e o que você absorveu de alguém.
Borda, aqui, é limite. Dizer não a quem vai ficar chateado, sabendo que a chateação da outra pessoa vai chegar em você pela pele. É o ponto em que a alta sensibilidade trabalha contra: o custo de recusar aparece na hora, e o custo de aceitar chega depois, diluído, disfarçado de cansaço sem causa.
Endurecer resolveria, se fosse possível. Não é. O que dá para fazer é gastar a captação com o que importa e proteger o resto — o barulho, a cobrança alheia, a dor que pertence a outra pessoa e nunca foi sua para carregar.
Sensibilidade não vem com botão de desligar. Vem com a possibilidade de escolher onde ela é gasta. O limite é o que faz essa escolha existir.
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