Os primeiros 90 dias no novo cargo: prove valor rápido e cresça
Primeira semana. Você confere o crachá outra vez, chega antes do horário, e o café esfria na mesa porque sentar ainda parece cedo demais. Todo mundo é cordial. Mesmo assim fica a sensação de estar sendo medido em cada resposta, inclusive nas conversas de corredor que pareciam sem importância.
Pode ser o cargo que você perseguiu por anos. Pode ser semanas depois, com o mesmo aperto no estômago do começo. Em qualquer ponto vale a mesma descoberta: aquele lugar tem regras que ninguém escreveu. Quem decide de fato, que assunto não entra em reunião, qual atraso é tolerado e qual não é.
O livro trata esse período como fase com tarefa própria. Aprender vem antes de mudar. Antes de propor qualquer coisa, é preciso saber por que o processo esquisito existe — quase sempre ele resolve um problema que ninguém conta ao recém-chegado. Chegar mexendo é o erro mais caro, e o mais comum entre gente competente.
Provar valor tem dosagem. Excesso de iniciativa é lido como atropelo; falta dela, como passividade. O caminho descrito passa por entregas pequenas e visíveis, escolhidas por serem úteis a quem já estava ali. Isso resolve reputação e informação ao mesmo tempo, porque quem foi ajudado explica como o lugar funciona.
A impressão formada nas primeiras semanas dura mais do que o desempenho que a produziu. Ela vira o filtro pelo qual todo o resto passa a ser lido. Daí a atenção desproporcional que a largada recebe aqui: corrigir percepção já formada custa bem mais do que construí-la desde o começo.
Ninguém te avalia pelo que você entrega na largada. Te avalia pela impressão que sobrou dela — e essa impressão dura mais do que o próprio trabalho.
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